Relações Raciais e a Academia: Práticas Racistas no Mundo do Trabalho de Docentes Negros

Nome: Isabela Ariane Bujato
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 26/08/2019
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Eloísio Moulin de Souza Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Eloísio Moulin de Souza Orientador
Juliana Cristina Teixeira Examinador Externo
Márcia Prezotti Palassi Examinador Interno

Resumo: No Brasil a história das relações raciais se firma em um contexto racializador
de sujeitos. Uma marca social é dada aos que são lidos e se identificam
enquanto negros desde momentos coloniais, categorizando-os negativamente
e desqualificando-os historicamente em detrimento de suas identidades raciais.
Toda essa distinção reflete também nos contextos organizacionais, como é o
caso da academia enquanto mundo do trabalho – espaço no qual docentes
negros são a minoria. Diante de tal realidade, é preciso entender a disparidade
destes sujeitos neste espaço enquanto mundo do trabalho. Para além desta
disparidade, é necessário analisar também seus discursos. Nesse sentido, este
estudo buscou compreender como acontecem as práticas de racismo no
mundo do trabalho acadêmico, considerando os docentes negros de uma
universidade do Sudeste do Brasil. A partir disto, alguns objetivos específicos
foram traçados: compreender e analisar como os sujeitos vivenciam as práticas
de racismo em sem mundo de trabalho; observar de que forma estas
acontecem (se há o racismo institucional, individual e/ou estrutural); além de
analisar as relações de poder e as possíveis práticas de resistência por parte
dos entrevistados, bem como a incidência de estereótipos e estimgas nestas
relações. Na produção de dados, dez (10) entrevistas semiestruturadas foram
realizadas e, no que diz respeito ao processo de análise, produziu-se três (03)
categorias através da metodologia de análise de conteúdo: 1) “Sobre racismos,
estereótipos e posições”; 2) “Sobre racismos e relações de poder”; 3) “Sobre
racismos e práticas de resistência”. Diante dos resultdos e discussões deste
estudo, foi possível perceber que os docentes negros são estereotipados de
maneiras distintas, tanto por suas características físicas como por suas formas
de posicionamento. Além disso, observou-se que o contexto e os espaços
influenciam nos processos de estereotipação dos sujeitos. No caso das
relações de poder, este, em sua maioria, aparece enquanto um poder positivo,
intencional e estratégico; mas que no caso dos docentes, de acordo com
alguns relatos, provoca sofrimento físico e psíquico no ambiente de trabalho.
As práticas de resistência foram identificadas quando, pelos relatos, os
docentes ocupavam espaços os quais são tidos pela hegemonia acadêmica
como áreas duras para sujeitos negros. O racismo, por sua vez, atravessou
todas as suas possíveis formas de existência, mostrando que uma mesma
prática racista pode ter faces que se complementam entre aquilo que é
individual, institucional, estrurtural, ou todas elas ao mesmo tempo. A análise
dos espaços ocupados pelos docentes, em sua maioria, enquanto centros de
ciências humanas e não de exatas ou da área da saúde bem como a
compreensão do racismo para além da identidade racial, observando questões
de gênero e demais inteseccionalidades são tida aqui como limitações desta
pesquisa; porém, consideradas como reflexões necessárias para estudos
futuros no âmbito das organzações e mundo do trabalho, ambos atrelados às
discussões raciais.

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